segunda-feira, 10 de julho de 2017

Palavra, luz de candeeiro


Frases são o manual de instruções das coisas ocultas
que me viram obsessão vez em quando
Não é exatamente o vazio, mas uma multidão desordeira
Uma multidão que parece se aquietar com palavras
Palavra é luz de candeeiro

terça-feira, 7 de abril de 2015

Impropriedades minhas

Minha cabeça tá burra. Tá burra porque botou tanta coisa nela que não cabe. Daí fica tudo pela metade e nada mesmo funciona bem.
Dividi o meu eu e peguei o que sobrou. Tentando juntar as metades pra refazer um inteiro.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Caramujo



Às vezes o dentro de mim fica vazio,
oco mesmo, como concha do mar
que dá pra ouvir o oceano se encostar na orelha

porque tá vazio de coisas
mas tá cheio de vento e sonho

Às vezes os sonhos se espremem pra caber a dor
essa dor que é só de viver mesmo
que todo mundo que tem alma sente vez em quando.
Nada especial, nenhum desprivilegio que seja só de mim.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A transcendência da insignificância

Cá estou eu
Ser insignificante no universo
Tão mínimo e comum
Minha cabeça que cria outros mundos e tantas questões complexas
Minha cabeça não entende sua insignificância
Não entende que pensa tanto pra ninguém
Somos bactérias numa vala imunda

sábado, 22 de novembro de 2014

E daí?

Sem outro não sou
Entre mim e ele me perdi
Me perdi entre o corredor e o sofá
E dali nunca mais saí
Apesar da vontade de conhecer a China
Por enquanto a esquina é longínqua que assusta
Prefiro percorrer minhas distâncias no apartamento
E abafar os sonhos com preguiça
Já que sonhar nesses dias anda tão caro

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Manoel

Hoje se foi dessa terra o homem do Barro
E eu percebi que ele pôs em mim um ovo, ovo de passarinho
Que tem que chocar até que voe a pena que vai escrever sentido
Porque o sentido que ele me faz nunca houve igual, e ser pedra era gostoso e me faz querer jogar com palavra
Palavra é bicho bom, poesia é um vento que sopra na espinha
Dividir o arrepio desvenda as almas e acende a luz
E Viva o mestre do sorriso gostoso!

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

amor de Osho



então, eu não sei amar.
entre as outras zilhões de coisas que eu também não sei

minha alma deve ser dessas infantes, recém criadas
ainda deve retornar muitas vezes pra corrigir tantos dessaberes
o dessaber de amar
o dessaber do altruísmo, do desinteresse

apesar do não saber
ainda sinto, insisto nisso
sofro porque amo sem saber, mas sofro ainda mais quando vazio

então eu amo do jeito que dá, do jeito que vem pra mim
e tento sem mesmo saber o que tentar
que esse seja o tal sentimento puro ao qual desconheço
que esse me traga mais suspiros que sufocos
e que essa possa ser uma existência intensiva