quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Reflexões sensíveis


Queria ter tempo e coragem de ser tudo o que eu imagino. De viver todas as possibilidades, sem ponderar o amanhã. Queria ter tempo e dinheiro pra ir e vir quando quisesse, jogar tudo pro ar e não mais me sufocar. Viver livre e sem angústias ruins. Empregar toda a energia em vida plena de alegria e satisfação.

O mundo foi regido por maus vivants, que não sabiam desfrutar do que há de melhor, que não compreenderam que o outro feliz te torna feliz, que a plenitude é uma onda de contágio. 

A repressão, a supressão do tempo de gozo, nada disso faz sentido. Em nome do acumulo, do dinheiro. E deixa pra trás a oportunidade de amores, os olhares dos filhos, os bate-papos despretensiosos, as trocas mais sublimes. 

E assim se esvai a cor dos dias, o azul empalidece e fica quase cinza. O verde já não importa e os lábios vermelhos das meninas perdem o viço.

De sentir demais


Sentir não é nenhum privilégio
Todo mundo sente.

Somos todos feitos da mesma coisa
Coisa que anda, fala e sente.

De sentir demais eu já não digo
Porque sentir demais é de alguns.

Alguns que não se importam com
o oito e o oitenta
Que, por inocência ou burrice,
deixam-se levar pelo bater do peito
o arrepiar da pele
o descompasso dos suspiros.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

: )



Não me contento em ser feliz por menos de vinte e quatro horas no dia.


(Mesmo pra resolver as questões práticas, que não demandam energia alegre.
                Mesmo pra essas questões, prefiro vestir um sorriso.)



Nem mesmo aceito os pesadelos,
Que absurdo!

Tirar minha alegria bem na hora do sono?
Ah, não!




segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Beje, branco e cinza

Por que não posso ser uma pessoa normal,
ter sonhos normais, um trabalho normal?
Me contentar com tons pastéis, usar beje, branco e cinza
gostar de sorvete de creme?

Por que querer mais quando o que se tem pode ser suficiente?
Por que achar que o suficiente está para o perfeito assim como o beje está para o azul piscina?
Por que a lua não pode ser só um satélite brilhante?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O poeta já dizia

"Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure"


Pra quem se permite viver o amor, em suas várias faces e cores, já deve ter experimentado diferentes nuances. Platônico, correspondido, unilateral, de cá e de lá. Todas deliciosas e igualmente sofríveis. Amor, paixão, seja o que for, não existe sem peito apertado, sem nó na garganta, sem mente confusa.

E é justo a intensidade desses opostos que fazem o bom ser tão bom.
E é por isso que, pra mim, amor se vive e não se finge, não se forja e não se esquiva.

Pra mim, se vive o que se quer quando se quer viver. Paixão não tem futuro, tem presente. Quem tem futuro é relação, isso aí é outra história.

Se preocupar com o que virá não combina com viver a plenitude do que se sente, e essa difícil decisão não está disponível para todos, mas apenas para quem se permite viver sem julgar, sem calcular e claro, pra quem se permite sofrer.

Porque os intensos opostos estão sempre juntos, e é justamente a tendência de tentar diminuir a força do sofrimento que abranda também os melhores picos de sentimento que jamais poderemos experimentar. Não é fácil, é só simples.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sede de quê?


Quando viajo, a vida parece pulsar mais em meu peito. Não sei se por causa da minha mania de procurar imaginar o cotidiano de cada lugar, ou por acordar para a monotonia da minha própria rotina. Só sei que viajar me deixa sede. Sede daquele e de tantos outros lugares possíveis. Sede de viver mais e agora e de poder de fato absorver as experiências.

E o retorno é como uma estiagem. A sede insaciável, como em um dia muito seco, quando nem água tônica dá jeito. Só o que faço é imaginar a próxima, as próximas oportunidades de alimentar esse vício.



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011