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terça-feira, 10 de abril de 2012

Sobre o tempo e a liberdade




O tempo passa como se ignorasse, de minha parte, toda a sede de viver.
Se de pensar em como passa me dá vontade de morrer
de gritar e de fugir,
de perder as estribeiras e arrancar de vez os estribos.

Se cada conjunto de sessenta minutos é um pacote relativo,
que voa como o vento ou se arrasta como lesmas.
Se me angustia pensar em onde aplicá-lo,
muito mais do que me concerne o dinheiro.

O que fazer com essa coisa que se chama tempo, e que se traduz em vida.

Porque a sede de poder sentir-lhes os braços de vento a cada segundo de alegria.
Porque a acidez de sentir-se algoz em grades de fumaça e tic-tac.

Enlouquecer é privilégio para os livres.




quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Corpo presente


Hoje a tarde se arrasta
o tempo se encomprida e passa lento

Entre escritas, luzes e redes
me perco na tarde vazia e burocrática
e me acho em meio a pensamentos e versos
de alegria e sorrisos fáceis

O tempo é tão relativo quanto a felicidade.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Terapia de um só

[Quando os sentimentos de morte invadem nossa alma, o que fazer?]



O vazio chegou junto com o tempo
O tempo que não tinha 
e tinha certeza que fazia falta

Falta de vida
De atenção
De paciência pra olhar em volta 
e perceber que há mais

Que só mecânica
Que caixinhas, que trabalho e televisão
Que o sentido das coisas pode ir além

E está nos minutos de total ócio
Na percepção do tempo real
Nos intervalos improdutivos e pouco práticos 

(que tanto nos fazem suprimir)

E é fácil suprimir
Porque não se quer se perceber

Olhar pra dentro de si dói
Perceber as horas enquanto elas passam
E perceber que não importa o que façamos, elas passam

Isso dói

Mas é só essa dor que nos acorda, 
nos transforma e nos faz ver

Que a vida pode ser mais do que pequenos intervalos entre tarefas exaustivas
Que a vida é sofrimento, é descoberta, é sentimento
É o que pulsa, morre e nasce todos os dias

E por isso dói
Porque a dor é necessária, como a morte
Para que o novo venha, para que a transformação se dê.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A borboleta




A natureza, em toda a sua sensibilidade e sublimação, imprimiu nas asas de uma borboleta duplamente o símbolo do infinito. Doce ironia, logo ela, que vive apenas por algumas horas. Tolice...


Tolice é viver anos e acreditar que o amanhã não chega para nós. Que podemos arrastar cada dia, porque amanhã tem mais. A sábia borboleta vive suas eternas horas a planar, regozija-se nas beiras dos rios e busca seu par. Ela sabe que não há amanhã. Assim como não o há para nós.
Podemos ler nas asas da borboleta que o infinito não é uma questão de tempo simplesmente. O infinito pode estar escondido em pequenos segundos, que trazem plenitude e eternidade aos nossos anos. Viver eternamente depende de perceber a sensação dos infinitos momentâneos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Máquina de escrever



Ontem eu escrevi um monte de coisas. Entre boas e ruins salvam-se algumas. Então, no meio de um poema veio o
                                           repente de olhar para o relógio.


É tarde, desligue e vá dormir!


Será que Manuel Bandeira malhava de manhã? 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sede de quê?


Quando viajo, a vida parece pulsar mais em meu peito. Não sei se por causa da minha mania de procurar imaginar o cotidiano de cada lugar, ou por acordar para a monotonia da minha própria rotina. Só sei que viajar me deixa sede. Sede daquele e de tantos outros lugares possíveis. Sede de viver mais e agora e de poder de fato absorver as experiências.

E o retorno é como uma estiagem. A sede insaciável, como em um dia muito seco, quando nem água tônica dá jeito. Só o que faço é imaginar a próxima, as próximas oportunidades de alimentar esse vício.



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Esse ano



E lá se vai mais um melhor ano da minha vida:
Nesse ano eu
Dei abraços gostosos e demorados
Peguei jacaré na praia
Fui pra Trindade
Fiquei triste e feliz
Conheci pessoas que levarei pra sempre comigo
Vi e vivi histórias e realidades diferentes
Abracei senhorinhas fofas
Comi pipoca
Fui pra Europa
Provei sabores maravilhosos e outros nem tanto
Conheci lugares lindos e outros nem tanto
Virei a menina da Zona Oeste e da Baixada
Fui afastada de melhores amigos
Fiz novos amigos do peito
Descobri que posso mais e, às vezes, posso menos
A vida me deu socos no estômago
Percebi que tenho muito mais do que preciso
E me apaixonei de novo por ela
Quis chorar, quis viver, e quis várias vezes não morrer
Tive medo, êxtase, angustia, paixão, tensão, plenitude, raiva, amor, candura, saudade...
E mais uma vez me descobri
E por isso tudo fui feliz
E sou feliz!
E em 2011 novos desafios virão, novas experiências e, com elas, novos aprendizados e descobertas. E estarei aqui, pronta pra recomeçar e pra viver mais tudo isso, chegar ao final, olhar para trás e dizer mais uma vez que VALEU!
Boas Festas e um excelente 2011, sem precedentes para todos nós!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Flor de Lis

A quem um dia achou bonito
Ver no céu o infinito
De uma vida de ilusão

Te pergunto, meu amigo
O que seria mais bonito
A solidão do infinito ou um instante de emoção?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Em microssegundos

De repente, foi-se embora a vontade de falar
E eu fiquei ali quietinha
Falando apenas com o pensamento

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A origem do blog

Desde que comecei com o blog muita coisa aconteceu, coisas que eu tinha a sensação exata de que aconteceriam na minha vida, mas que dependeriam de minhas atitudes e decisões. Essa sensação me deixava angustiada e ansiosa (como se isso já não fosse normal vindo de mim) e deixavam essa saudade estranha, do tempo que ainda não passou, do que ainda não aconteceu.

Ultimamente não tenho me sentido mais assim. Não sei se por causa das decisões tomadas, dos fatos decorridos ou mesmo pela maturidade adquirida, principalmente no último ano, que me trouxe mais calma e resignação.

Acho que o fato de as coisas terem se concretizado da maneira como havia imaginado também contribuiu para a minha maior serenidade em relação ao tempo. Além disso, tenho o usado melhor. Estou finalmente trabalhando no que gosto e acredito, e isso faz toda a diferença quando se vive em um centro urbano e a maior parte dos seus segundos e esforços é destinada à rotina do trabalho.

Mas ainda sinto um frio na espinha quando penso na velocidade com que os dias têm passado, em como o ano acaba de repente (já estamos em Maio, minha gente!) e que isso tudo está acontecendo justamente na minha juventude (uma injustiça, diga-se de passagem). A minha angústia maior é descobrir um dia que a vida passou e eu não fiz o que queria, o que devia, o que podia.