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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Terapia de um só

[Quando os sentimentos de morte invadem nossa alma, o que fazer?]



O vazio chegou junto com o tempo
O tempo que não tinha 
e tinha certeza que fazia falta

Falta de vida
De atenção
De paciência pra olhar em volta 
e perceber que há mais

Que só mecânica
Que caixinhas, que trabalho e televisão
Que o sentido das coisas pode ir além

E está nos minutos de total ócio
Na percepção do tempo real
Nos intervalos improdutivos e pouco práticos 

(que tanto nos fazem suprimir)

E é fácil suprimir
Porque não se quer se perceber

Olhar pra dentro de si dói
Perceber as horas enquanto elas passam
E perceber que não importa o que façamos, elas passam

Isso dói

Mas é só essa dor que nos acorda, 
nos transforma e nos faz ver

Que a vida pode ser mais do que pequenos intervalos entre tarefas exaustivas
Que a vida é sofrimento, é descoberta, é sentimento
É o que pulsa, morre e nasce todos os dias

E por isso dói
Porque a dor é necessária, como a morte
Para que o novo venha, para que a transformação se dê.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A origem do blog

Desde que comecei com o blog muita coisa aconteceu, coisas que eu tinha a sensação exata de que aconteceriam na minha vida, mas que dependeriam de minhas atitudes e decisões. Essa sensação me deixava angustiada e ansiosa (como se isso já não fosse normal vindo de mim) e deixavam essa saudade estranha, do tempo que ainda não passou, do que ainda não aconteceu.

Ultimamente não tenho me sentido mais assim. Não sei se por causa das decisões tomadas, dos fatos decorridos ou mesmo pela maturidade adquirida, principalmente no último ano, que me trouxe mais calma e resignação.

Acho que o fato de as coisas terem se concretizado da maneira como havia imaginado também contribuiu para a minha maior serenidade em relação ao tempo. Além disso, tenho o usado melhor. Estou finalmente trabalhando no que gosto e acredito, e isso faz toda a diferença quando se vive em um centro urbano e a maior parte dos seus segundos e esforços é destinada à rotina do trabalho.

Mas ainda sinto um frio na espinha quando penso na velocidade com que os dias têm passado, em como o ano acaba de repente (já estamos em Maio, minha gente!) e que isso tudo está acontecendo justamente na minha juventude (uma injustiça, diga-se de passagem). A minha angústia maior é descobrir um dia que a vida passou e eu não fiz o que queria, o que devia, o que podia.