Frases são o manual de instruções das coisas ocultas
que me viram obsessão vez em quando
Não é exatamente o vazio, mas uma multidão desordeira
Uma multidão que parece se aquietar com palavras
Palavra é luz de candeeiro
Minha cabeça tá burra. Tá burra porque botou tanta coisa nela que não cabe. Daí fica tudo pela metade e nada mesmo funciona bem.
Dividi o meu eu e peguei o que sobrou. Tentando juntar as metades pra refazer um inteiro.
Cá estou eu
Ser insignificante no universo
Tão mínimo e comum
Minha cabeça que cria outros mundos e tantas questões complexas
Minha cabeça não entende sua insignificância
Não entende que pensa tanto pra ninguém
Somos bactérias numa vala imunda
Sem outro não sou
Entre mim e ele me perdi
Me perdi entre o corredor e o sofá
E dali nunca mais saí
Apesar da vontade de conhecer a China
Por enquanto a esquina é longínqua que assusta
Prefiro percorrer minhas distâncias no apartamento
E abafar os sonhos com preguiça
Já que sonhar nesses dias anda tão caro
Hoje se foi dessa terra o homem do Barro
E eu percebi que ele pôs em mim um ovo, ovo de passarinho
Que tem que chocar até que voe a pena que vai escrever sentido
Porque o sentido que ele me faz nunca houve igual, e ser pedra era gostoso e me faz querer jogar com palavra
Palavra é bicho bom, poesia é um vento que sopra na espinha
Dividir o arrepio desvenda as almas e acende a luz
E Viva o mestre do sorriso gostoso!