sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Máquina de escrever



Ontem eu escrevi um monte de coisas. Entre boas e ruins salvam-se algumas. Então, no meio de um poema veio o
                                           repente de olhar para o relógio.


É tarde, desligue e vá dormir!


Será que Manuel Bandeira malhava de manhã? 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Do caminho que faz

(poesia explicada)


A poesia é o sentimento que vem da alma

Rela no cérebro                      (vira palavra)
Abraça o coração                    (ganha fluidez)
E escorre pelos dedos              (se liberta)


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Praieira



Ipanema tem cheiro, gosto, som
Tem cheiro de maresia e maconha
Som de onda quebrando
E das entonações engraçadas dos ambulantes
Que eu adoro perceber.

Tem cor de mar e pôr-do-sol
E sensação de brisa fresca batendo na pele
Quente, morena, salgada.

Tem gosto de mate de galão
E água de coco.

E tem o depois
O corpo mole, relaxado
Que dorme tranquilo, em paz.

[Eu adoro praia! Praia pra mim é banal, é a primeira coisa que me vem à cabeça quando acordo num dia sem trabalho: Se estiver sol, eu vou pra praia. Nasci e cresci no litoral, ficar longe do mar é sempre um tormento]

domingo, 13 de novembro de 2011

?




Na dúvida, viva
Viva sempre e mais
Escolha o que te torna pleno
O que te tira o nó da garganta
E te liberta para respirar

Na dúvida, escolha o erro
Ele te embaraça e te arrepende,
Mas é quem constrói as melhores sensações que vais experimentar

Na dúvida, fique com a sinceridade
Sinceridade contigo mesmo
Procure e permita se escutar

Faça apenas o que te for verdade
O que te for feliz
O que te torna vivo.

sábado, 12 de novembro de 2011

Se joga!



Quando sonhar não resolve mais, o que fazer? Acreditar nos sonhos sempre me pareceu ser a coisa mais inteligente na busca incessante pela felicidade nossa de cada dia. Mas então, nesse mundo onde muitos se dizem angustiados e aflitos com o que vem fazendo de suas vidas, é raro ver, na prática, a entrega. 

E sem entrega, não se pode ser inteiro. E para viver sonhos é preciso estar inteiro, se entregar, deixar o rio te levar pelas correntes para onde o sonho permitir. E esse impulso anda em falta.

Estamos nos amarrando às margens da vida, vivendo nas beiradas, onde é seguro, onde tudo é mais brando e controlável. Longe da correnteza. Às vezes, quando tropeçamos sem querer, deixamos nos levar um pouquinho... Então, puxamos a corda na primeira eminência do desconhecido, do não planejado, e voltamos à margem.

E depois sentimos a angústia, o vazio, buscamos os porquês sem nunca achá-los. Alguns procuram materializar sua felicidade em coisas e não entendem como nunca preenchem os buracos em seus estômagos, não sabem de onde vem, de repente, a falta.

Viver às margens é assim mesmo, pode ser mais fácil na maior parte do tempo. Mas, a coisa do qual somos feitos precisa mais, precisa navegar sem rumo e, cedo ou tarde, vai cobrar essa jornada, vai tirar a cor das coisas, sacudir os prumos, apertar o coração e pulverizar ideias estonteantes e duvidosas que não vão nos permitir ficar parados. 

Cedo ou tarde vamos ter que cortar as amarras e nos jogar de cabeça, flutuar pela correnteza, ficar a deriva. Esperar que o sonho nos leve em uma viagem incrível, de obstáculos surpreendentes, tormentas, paisagens, redemoinhos. Que nos mostre o valor real das coisas, que, pela experiência, nos faça compreender o incompreensível, que nos permita de fato entender o que é de verdade um porto seguro.

(Exemplos de pessoas que recuaram do salto bem na beira do abismo me chegam aos ouvidos diariamente, e isso me fez refletir. Escrever tem sido minha principal terapia. Redescobri-me nas linhas e isso tem sido reconfortante. Primeiro porque acalma a alma, segundo, porque me faz feliz ler as produções depois, e mais feliz ainda de saber que ajudo também a desvendar corações amigos. É bom saber que não sofremos sozinhos, que a angústia do outro pode ser a sua e que as conversas não precisam ser feitas apenas em mesas de bar.)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Reflexões sensíveis


Queria ter tempo e coragem de ser tudo o que eu imagino. De viver todas as possibilidades, sem ponderar o amanhã. Queria ter tempo e dinheiro pra ir e vir quando quisesse, jogar tudo pro ar e não mais me sufocar. Viver livre e sem angústias ruins. Empregar toda a energia em vida plena de alegria e satisfação.

O mundo foi regido por maus vivants, que não sabiam desfrutar do que há de melhor, que não compreenderam que o outro feliz te torna feliz, que a plenitude é uma onda de contágio. 

A repressão, a supressão do tempo de gozo, nada disso faz sentido. Em nome do acumulo, do dinheiro. E deixa pra trás a oportunidade de amores, os olhares dos filhos, os bate-papos despretensiosos, as trocas mais sublimes. 

E assim se esvai a cor dos dias, o azul empalidece e fica quase cinza. O verde já não importa e os lábios vermelhos das meninas perdem o viço.

De sentir demais


Sentir não é nenhum privilégio
Todo mundo sente.

Somos todos feitos da mesma coisa
Coisa que anda, fala e sente.

De sentir demais eu já não digo
Porque sentir demais é de alguns.

Alguns que não se importam com
o oito e o oitenta
Que, por inocência ou burrice,
deixam-se levar pelo bater do peito
o arrepiar da pele
o descompasso dos suspiros.