quinta-feira, 12 de março de 2015
Caramujo
Às vezes o dentro de mim fica vazio,
oco mesmo, como concha do mar
que dá pra ouvir o oceano se encostar na orelha
porque tá vazio de coisas
mas tá cheio de vento e sonho
Às vezes os sonhos se espremem pra caber a dor
essa dor que é só de viver mesmo
que todo mundo que tem alma sente vez em quando.
Nada especial, nenhum desprivilegio que seja só de mim.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
A transcendência da insignificância
Cá estou eu
Ser insignificante no universo
Tão mínimo e comum
Minha cabeça que cria outros mundos e tantas questões complexas
Minha cabeça não entende sua insignificância
Não entende que pensa tanto pra ninguém
Somos bactérias numa vala imunda
sábado, 22 de novembro de 2014
E daí?
Sem outro não sou
Entre mim e ele me perdi
Me perdi entre o corredor e o sofá
E dali nunca mais saí
Apesar da vontade de conhecer a China
Por enquanto a esquina é longínqua que assusta
Prefiro percorrer minhas distâncias no apartamento
E abafar os sonhos com preguiça
Já que sonhar nesses dias anda tão caro
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Manoel
Hoje se foi dessa terra o homem do Barro
E eu percebi que ele pôs em mim um ovo, ovo de passarinho
Que tem que chocar até que voe a pena que vai escrever sentido
Porque o sentido que ele me faz nunca houve igual, e ser pedra era gostoso e me faz querer jogar com palavra
Palavra é bicho bom, poesia é um vento que sopra na espinha
Dividir o arrepio desvenda as almas e acende a luz
E Viva o mestre do sorriso gostoso!
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
amor de Osho
então, eu não sei amar.
entre as outras zilhões de coisas que eu também não sei
minha alma deve ser dessas infantes, recém criadas
ainda deve retornar muitas vezes pra corrigir tantos dessaberes
o dessaber de amar
o dessaber do altruísmo, do desinteresse
apesar do não saber
ainda sinto, insisto nisso
sofro porque amo sem saber, mas sofro ainda mais quando vazio
então eu amo do jeito que dá, do jeito que vem pra mim
e tento sem mesmo saber o que tentar
que esse seja o tal sentimento puro ao qual desconheço
que esse me traga mais suspiros que sufocos
e que essa possa ser uma existência intensiva
quinta-feira, 8 de maio de 2014
ínfimidade
Ondas que tumultuam, mareiam, e chacoalham razões
Universo ininteligível
Por onde paira a alma, à deriva no vácuo silencioso
Anestesiada pela moção
Que sorve faíscas e luzes
Que habita um ínfimo grão de areia, insignificante quando visto no deserto.

